8 29 2019 Expresso Timor EUA sabiam há meses que militares indonésios armavam milícias antes do referendo à independência INTERNACIONAL Timor EUA sabiam há meses que militares indonésios armavam milícias antes do referendo à independência 29 08 2019 às 9h23 MARIO JONNY DOS SANTOS AFP GETTY IMAGES A informação consta de documentos até agora con denciais que são divulgados esta sexta-feira para coincidir com o 20º aniversário da consulta popular As autoridades americanas tiveram um conhecimento amplo e precoce da “determinação” das Forças Armadas indonésias em “impedir uma votação através do terror e da violência” refere um investigador HÉLDER GOMES Governo dos EUA sabia há meses que as Forças Armadas indonésias apoiavam e armavam milícias em Timor-Leste no período que antecedeu o referendo à independência realizado a 30 de agosto de 1999 A informação é revelada em documentos até agora https expresso pt internacional 2019-08-29-Timor -EUA-sabiam-ha-meses-que-militares-indonesios-armavam-milicias-antes-do-referendo-a-indepen… 1 3 8 29 2019 Expresso Timor EUA sabiam há meses que militares indonésios armavam milícias antes do referendo à independência O con denciais a que o jornal “The Guardian” teve acesso Os documentos são divulgados esta sexta-feira para coincidir com o 20º aniversário da consulta popular Da sua análise conclui-se que as autoridades norte-americanas tiveram um conhecimento amplo e precoce da “determinação” das Forças Armadas indonésias em “impedir uma votação sobre a independência em Timor-Leste através do terror e da violência” refere o investigador Brad Simpson do National Security Archive citado pelo jornal O então secretário norte-americano da Defesa William Cohen encontrou-se na Indonésia com o comandante das Forças Armadas o general Wiranto a 30 de setembro exatamente um mês depois de os timorenses terem votado de forma esmagadora a favor da independência O referendo seguiu-se a meses de violência e intimidação tendo o seu resultado conduzido a mais violência por parte de militares indonésios e milícias locais pró-integração Milhares de pessoas morreram Segundo uma comunicação ao Departamento de Estado Wiranto alegou que os media tinham “exagerado grandemente” a situação em Timor-Leste e que com a chegada das forças de manutenção de paz estava tudo sob controlo O FILME DOS ACONTECIMENTOS Em janeiro de 1999 o Presidente indonésio Habibie anunciou que Timor-Leste poderia escolher ter ampla autonomia ou separar-se da Indonésia No entanto o seu Governo não estava disposto a deixar entrar uma força internacional liderada pelas Nações Unidas antes da votação dos timorenses No mês seguinte um relatório dos serviços de informação dos EUA citava o ciais da embaixada de Jacarta dizendo que os militares indonésios estavam “a armar bandos pequenos e itinerantes de grupos paramilitares timorenses” e que militares à paisana participavam diretamente nesses grupos Em março os serviços de informação militar apontavam os “laços estreitos” entre os militares indonésios e as milícias locais “muitas criadas por forças especiais indonésias e agentes dos serviços secretos” Era citada em particular “a decisão de Wiranto de fornecer centenas de armas às milícias” Além de munições eram também disponibilizados serviços de logística e de aconselhamento PAULA BRONSTEIN GETTY IMAGES https expresso pt internacional 2019-08-29-Timor -EUA-sabiam-ha-meses-que-militares-indonesios-armavam-milicias-antes-do-referendo-a-indepen… 2 3 8 29 2019 Expresso Timor EUA sabiam há meses que militares indonésios armavam milícias antes do referendo à independência “MILÍCIAS PLANEAVAM RECEBER UNAMET COM ARMAS” Em abril a situação tinha-se deteriorado drasticamente sobretudo após a tomada de Díli pelas milícias pró-integração com o apoio das forças de segurança indonésias Apesar disso os militares e a polícia “não tomaram medidas para acabar com a violência” tendo um comandante declarado que os militares são “neutros” de acordo com uma nota da embaixada No nal do mês a União Europeia juntava-se aos apelos para a Indonésia deixar entrar a ONU no território No início de maio a CIA sinalizava que os planos de Habibie para Timor-Leste tinham pouco apoio entre os militares seniores incluindo Wiranto O general “não adotou qualquer medida contra as milícias civis pró-integração nem disciplinou as unidades militares locais que se não instigaram pelo menos toleraram estes grupos” referiu No dia 21 funcionários da embaixada foram informados de que “as milícias planeavam receber o primeiro contingente de conselheiros policiais da UNAMET Missão das Nações Unidas em Timor-Leste com as suas armas” “POLÍTICA DE TERRA QUEIMADA” Em junho uma delegação da embaixada visitou a cidade de Liquiçá e reportou que era “claro que os militares indonésios e as milícias pró-integração trabalhando em grande proximidade estavam a levar a cabo uma política de terra queimada” No mês seguinte o cias da UNAMET disseram ao então secretário de Estado adjunto para o Leste Asiático e o Pací co Stanley Roth e ao embaixador americano que as milícias eram “apenas sintomas do problema mais amplo da estratégia geral das Forças Armadas indonésias” A 30 de agosto os timorenses votaram esmagadoramente a favor da independência A violência militar prosseguiu A 9 de setembro o então Presidente norte-americano Bill Clinton suspendeu as relações militares e de assistência dos EUA com a Indonésia No nal de setembro começaram a chegar membros da INTERFET a Força Internacional para Timor-Leste mas apesar da sua presença os assassínios continuaram Foi só quando os militares começaram a recuar que aquela força internacional conseguiu entregar à ONU a administração transitória do território em outubro MAIS ARTIGOS https expresso pt internacional 2019-08-29-Timor -EUA-sabiam-ha-meses-que-militares-indonesios-armavam-milicias-antes-do-referendo-a-indepen… 3 3
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